terça-feira, 15 de abril de 2014

O Jovem brasileiro está lendo mais, graças a quem?

por Jeff_JunKHead
 

Certa vez assistindo a uma palestra online, o professor palestrante disse que em uma visita sua a Argentina, ele se surpreendeu ao perceber que no país dos hermanos é tão fácil encontrar uma livraria quanto uma farmácia, e que muitas livrarias de livros novos ou usados (nossos amados sebos no Brasil) permanecem abertas 24 horas. E para fechar ele disse que a diferença entre o jovem brasileiro e o jovem argentino é que o brasileiro gosta de malhação e o argentino de literatura.






Em Buenos Aires existem mais livrarias que em todo o Brasil, basta olhar em um atlas para se comparar o tamanho e a população de cada país. Que o argentino lê mais é fato. Mas o  que o professor não analisou é que  o jovem brasileiro está lendo cada vez mais nos últimos dez anos. Sou testemunha disso porque peguei uma carona nesse barco há alguns anos, e posso afirmar que hoje o jovem brasileiro está lendo muito e cada vez mais.

E quem ou o que seria o responsável por esse acontecimento? Antes de qualquer coisa, quero deixar a minha humilde opinião de que o nosso governo não tem nada a ver com isso, as campanhas para incentivo a leitura são simplesmente fracas e desinteressantes. Mas então como esses garotos juvenis estão entrando nesse mundo de papel e tinta, onde se pode viver mil aventuras, ser quem você quiser, viajar no tempo para o passado ou futuro em qualquer mundo que seja? Muitos vão logo dizer que é graças ao Harry Potter. Pois bem, apesar de eu ter lido apenas o terceiro livro (mas adoro todos os filmes) eu concordo plenamente que Harry e J. K. Rowling são responsáveis por incluir crianças, adolescente e até adultos no mundo da leitura. É claro que já existia literatura juvenil no brasil. Pedro Bandeira, um dos maiores escritores nacionais tinha os jovens como foco. Mas, o que Rowling fez e que ninguém até aquele momento tinha feito, foi criar um mundo tão fantástico que falava diretamente com o jovem usando uma linguagem fácil que o envolve e o faz parte daquilo. Rowling fez isso de forma tão magnifica que além de abraçar esses novos leitores, ela os fez amadurecer com seus personagens a cada livro ao longo dos anos. Daí tem início a fase pós Harry Potter...

Hoje muitos são leitores graças ao bruxo inglês, mas assim que suas aventuras acabaram, esses novos leitores queriam mais. Então apareceram inúmeras outras obras que usavam a mesma formula de Rowling com o mesmo público alvo, o jovem. Da mitologia grega aos vampiros, a febre da literatura fantástica (que já existia claro) explodiu como nunca, e cresce cada vez mais resgatando obras que já estavam esquecidas. As mídias socias, vlogs literários no YouTube, Podcasts, blogs, que são feitos por outros jovens, expandiram o universo literário brasileiro além dos clássicos. Novos escritores brasileiros estão surgindo e construindo os novos pilares da literatura brasileira. O brasil está descobrindo que o jovem  quer ler o que é feito para ele, usando a linguagem dele. Afirmo que literatura fantástica e de entretenimento é a responsável por esse crescimento de leitores no brasil. O governo que se dane, os clássicos que me perdoem, mas nós queremos é AVENTURA!!!


quinta-feira, 10 de abril de 2014

Depois Que O livro Se Fecha... O Estrangulador (Sidney Sheldon 1917 - 2007)






 Em Londres um misterioso assassino estrangula mulheres em dias de chuva. A Scotland Yard já não sabe mais o que fazer, a não ser chamar o incrível sargento Sekio Takagi, o único capaz de capturar esse malfeitor. De preferência antes da próxima chuva.









Na Minha Opinião De Merda... Sou um grande fã do Sheldão e de seus super clássicos, e esse foi o primeiro livro infanto - juvenil dele que li e demorou até eu realmente acreditar que ele mesmo escreveu essa obra. Posso avaliá-lo por dois lados, o de um jovenzinho leitor iniciante e o de um adulto com certa bagagem literária. 

Por ser um romance infanto-juvenil, ele é um pouco diferente daquelas estorinhas onde a turminha desvenda os mistérios, a temática aqui é adulta, pois se trata de um serial killer. Em seu desenvolvimento, as frases são bem curtas, muitos diálogos, desenhos e a velha fórmula de sempre, mocinha, bandido e herói. A leitura é muito, muito rápida e ótima para novos leitores que estão saindo da leitura um pouco mais infantil ou qualquer pessoa que está começando a ler e quer algo bem simples.

Agora para quem já tem uma certa bagagem literária, pode ser que não goste muito, ou nada como eu. Mas até que eu vi muita gente que gostou, e gosto é gosto. As falas são tão rápidas e curtas que na quinta página eu já estava deprimido, os personagens são completamente irritantes, principalmente a mocinha, eu torci muito para que ela morresse. O vilão é um fanfarrão e o herói é o menos louco nisso tudo, mas não menos chato. No geral é uma estorinha que é possível adivinhar o final já no começo e um romancezinho nhenhenhém do começo ao fim. Mas, é um livro tão curto que não valia a pena abandoná-lo, em uma dor de barriga no banheiro dá pra ler tudo rapidinho, até porque a impressão é que o próprio Sheldão escreveu este livro nessas condições.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Depois Que O Livro se Fecha... Fábrica De Animais (Edward Bunker 1933 - 2005)




 Prisão Estadual de San Quentin, Califórnia, será a nova casa de Ron Decker, jovem, rico, bonito e preso por tráfico de drogas. Earl Copen, um veterano que praticamente não conhece a liberdade e a prisão e sua única realidade. Ron, presa fácil para maníacos e pervertidos e Earl um dos líderes da Irmandade Branca, tem muitas coisas em comum que darão vida a esta trama.









Na Minha Opinião De Merda... Somente alguém como Bunker, que viveu essa realidade, poderia descrever com tanta crueza a vida em San Quentin. Ron tem apenas dois anos até o juiz rever seu caso, e de forma alguma pode dar um passo em falso. Earl tem poucos anos até tentar uma possível condicional. Ron encontra em Earl e na Irmandade Branca (a pior gangue de brancos da prisão), uma forma de proteção e por outro lado Earl vê em Ron uma amizade que ele nunca conheceu, algo praticamente impossível na cadeia. quando as coisas parecem estar dando certo para os dois, uma tentativa de assassinato envolvendo ambos, pode por tudo a perder e acrescentar muitos anos de pena para Ron e o resto da vida para Earl. No geral é um livro de poucos acontecimentos, mas de uma narrativa tão fluente que prende a atenção e causa certo choque ao mesmo tempo. Os personagens são incríveis e bem desenvolvidos apesar de suas poucas ações, e cada pausa que se faz é acompanhada de um momento de reflexão. Mas é importante dizer que até a metade do livro eu lhe dava nota 6, da metade até o final nota 8, mas no último parágrafo fui obrigado a dar nota 10 por todo o livro, pois o final é tenso e surpreendente. Provavelmente vai demorar até eu encontrar linhas finais tão boas quanto as de "Fábrica De Animais", acreditem,  é de arrancar lágrimas.







"... O homem que deseja prevalecer onde quer que esteja, incluindo a prisão, caminha sobre a corda bamba e corre perigo"

terça-feira, 8 de abril de 2014

Será que falta de dinheiro é desculpa para não ler?

por Jeff_JunKHead

  Há um certo tempo conversando com um ex colega de trabalho, ele me disse que não entendia o motivo de as pessoas gastarem dinheiro com livros, já que poderia servir para algo mais útil, como uma compra de mercado ou uma conta de luz por exemplo. Um outro colega, que era extrememente apaixonado por leitura, me disse que não tinha sentido em comprar livros já que ele somente pegava emprestado na biblioteca. Um terceiro colega que sempre me via lendo, me disse que adoraria ler diariamente como eu, pois ele achava que deveria ser divertido, mas não podia gastar dinheiro com isso. Eu lhe disse para fazer um cadastro em uma biblioteca pública, mas ele me  disse não havia nenhuma perto de sua casa (o que era verdade), então lhe emprestei um. Mas o que aconteceu foi que ele nunca começou a ler e também não me devolveu meu livro. Então começei a pensar se realmente a falta de grana é motivo para não ler.



Uma questão importante: O livro no Brasil é caro?

Na minha opinião, depende do bolso de cada um. 40 reais é valor de importância diferente para muitas pessoas. Eu raramente compro um livro acima de 30 reais. Pois, consigo garimpar diversos preços até estarem de acordo com o que eu posso gastar num livro. Mas muitas pessoas (em seu total direito) gastam valores super altos. Acho sim que os livros no Brasil são caros e poderiam ter preços mais acessíveis em todos os locais, mas como já disse, podemos encontrá-los em diversos preços, do mais barato ao mais caro e com a mesma qualidade e na mesma rua.
 Bem, cada um administra sua grana do seu jeito, eu conheço pessoas (muitas pessoas) que gastam até 1.000 reais em um celular ou num par de tênis, mas que acham um absurdo gastar 40 reais em um livro. Então para essas pessoas os livros se encontram abaixo da tecnologia e da moda, e não são uma prioridade em suas vidas.
 Por outro lado, conheço pessoas que cada moedinha de cinco centavos que entram em suas casas devem ser planejadas no limite para sua própria sobrevivência. E quando se está no limite para comprar roupas e comida, livros não são tão importantes.

Outra questão importante: Então a biblioteca seria uma saída? 

Sim, seria uma ótima solução para quem quer ler e não quer ou não pode gastar dinheiro. Mesmo comprando livros também frequento a biblioteca. É um ótimo ambiente, onde a leitura não se resume a livros, onde encontra-se, jornais, revistas, HQs, gibis, livros infantis e até acesso à internet.

Mais uma questão: E quem não tem acesso a uma biblioteca?
Pois é, parece irreal, mas em pleno ano de 2014, muitos, inúmeros bairros não tem bibliotecas ou centros culturais acessíveis a sua população. E qualquer pessoa que pelo menos faz ideia de que país é esse Brasil, sabe que incontáveis ESCOLAS, NÃO POSSUEM BIBLIOTECAS.

Conclusão
Existem muitos livros bons que são mais baratos do que uma coxinha e acho que a falta de grana só é uma desculpa para não ler quando a pessoa se enquadro na questão acima. Aí você me pergunta:

O que fazer? 
Estádios.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Depois Que o Livro Se Fecha... O Pacto (Joe Hill)

Sinopse: Ignatius Perrish sempre foi um homem bom. Tinha uma família unida e privilegiada, um irmão que era seu grande companheiro, um amigo inseparável e, muito cedo, conheceu Merrin, o amor de sua vida. Até que uma tragédia põe fim a toda essa felicidade: Merrin é estuprada e morta e ele passa a ser o principal suspeito. Embora não haja evidências que o incriminem, também não há nada que prove sua inocência. Todos na cidade acreditam que ele é um monstro. Um ano depois, Ig acorda de uma bebedeira com uma dor de cabeça infernal e chifres crescendo em suas têmporas. Descobre também algo assustador: ao vê-lo, as pessoas não reagem com espanto e horror, como seria de esperar. Em vez disso, entram numa espécie de transe e revelam seus pecados mais inconfessáveis.










Na Minha Opinião de Merda... Você já deve ter se perguntado como seria o seu mundo caso conseguisse extrair de todas as pessoas a sua volta o que elas realmente pensam, sentem e cobiçam, tanto em relação a você quanto a elas mesmas. Talvez nem sempre a verdade seja a coisa mais confortável, na maior parte do tempo é melhor que nossos piores pensamentos, sentimentos e desejos fiquem escondidos bem profundamente. E não ache que você não tem nada a esconder, porque sim meu amigo, todos temos nosso lado obscuro, nossos demônios interiores.
Quando Iggy Perrish descobre um par de chifres crescendo em sua testa , e que os tais chifres lhe dão o poder de despertar o que há de pior nas pessoas, ele entende que ouvir as piores verdades pode ser uma maldição.
Nesse seu segundo romance, Joe Hill nos apresenta uma ótima premissa, que infelizmente se perde em função de personagens bidimensionais. Ao manter a ideia em um escopo mais pessoal, procurando focar a narrativa no drama da trinca de personagens principais, Hill deixa de explorar uma gama de possibilidades que poderiam ser facilmente desenvolvidas em virtude dos poderes extraordinários de seu protagonista. Um homem comum que se torna o Diabo, podendo extrair os segredos mais sujos de qualquer um, e ainda ganhando de lambuja a habilidade de influencia-las em diversos níveis de pensamento, talvez não ficasse perdendo tanto tempo com lamentações. Não que o autor não possa desenvolver seus personagens de forma mais densa, pelo contrario, um dos atributos que eu mais prezo em uma boa narrativa é a profundidade e as varias camadas de personalidade que se pode atribuir, mas quando não existe uma grande evolução, ou uma mudança sensível de comportamento, tem-se a impressão de que os personagens não saíram do lugar.
Apesar não ter gostado tanto do foco da trama, não posso deixar de dizer que O Pacto é sim um livro extremante divertido, com algumas passagens que beiram o memorável, (como a parte em que Iggy faz sua pregação para centenas de animais rastejantes), compondo algumas passagens com bastante sensibilidade e até mesmo de forma bastante poética (como a cena final na casa da arvore). Enfim, um interessante estudo sobre humanidade, e como temos a incrível capacidade de esconder nossos demônios de nós mesmos.