terça-feira, 2 de abril de 2013

Depois Que o Livro Se Fecha... Histórias de Humor (Vários Autores)


  História de humor é uma pequena seleção de vários autores nacionais renomados como Millôr Fernandes, Luis Fernando  Verissimo até Stanislaw Ponte Preta. O objetivo desta pequena obra é incentivar a criançada a ler, foi distribuída nas escolas públicas como parte de um programa do MEC (literatura em minha casa).  As ilustrações ficam a cargo de Adalberto Cornavaca.
















Na Minha Opinião De Merda... Levando em conta que é um livro infanto juvenil para incentivar a molecada a ler, é simples, bem montado com bons autores. Nunca fui muito fã dos grandes nomes brasileiros nem da literatura nacional, mas admito que esse pequeno livro me fez rir bastante com umas estórias, como Garoto Linha Dura de Ponte Preta, refletir um pouco O Homem Da Cabeça De Papelão de João do Rio entre outras. Mas devo destacar A Nova Califórnia de Lima Barreto, que não achei nem um pouco engraçado, me refletir sobre a ganância humana, mas li e reli e não entendi o que esta estória está fazendo  num livro de humor, pois, no meu ver é uma estória macabra e nada engraçada. Posso estar errado, mas é um pouco difícil incentivar os jovens a ler livros nacionais que geralmente são antigos, onde a linguagem é diferente. É mais fácil convencer uma criança a ler Harry Potter, que tem uma linguagem direta com ela do que com Machado de Assis que é preciso ser lido com um dicionário ao lado. Não quero desmerecer nossos grandes escritores, mas a literatura brasileira precisa de mais opções, opções novas. Mas, no geral é um bom livro, muito bem montado.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Depois Que O Livro Se Fecha... O Caminho Para Wigan Pier (George Orwell 1903 - 1950)


Na verdade esta bela obra é constituída de dois livros distintos entre si.  A primeira parte, mais descritiva e jornalistica, Orwell vivencia o dia a dia dos trabalhadores das minas de carvão na Inglaterra e no País de Gales. Ele foca a pobreza, e as duras condições desses trabalhadores, ele conhece as minas de perto, as residências dos mineradores e ouve seus relatos de como são tratados por seus patrões e pelo governo que parece ignorar sua existência, mas que depende profundamente do carvão. A segunda parte é um ensaio profundo, agudo e até mesmo humorado sobre a sociedade de classe na Inglaterra. Percebe-se claramente uma forte critíca ao capitalismo vigente e ao socialismo de bermuda e chinelo que se opõe ao primeiro, mas segundo Orwell é feito da maneira mais errada possível.








Na Minha Opinião De Merda... Jorjão ficou profundamente impressionado com o que viu, e eu também. Suas descrições da miséria, do cheiro e das condições de vida dos mineradores e das suas famílias atingem em cheio o leitor. Orwell simplesmente não observou essa realidade, ele pegou sua mala, lápis e papel e realmente viveu entre esses mineiros, ele entrou em diversas minas para fazer da sua obra autentica e verdadeira, ele fez o jornalismo verdadeiro e escreveu com a alma, coisa bem diferente do que vemos hoje, com repórteres explorando o sofrimento das pessoas ao mesmo tempo em que estão preocupados em como estão se saindo diante da câmera. A segunda parte é uma dura crítica em tom confessional sobre a estrutura social da Inglaterra e o preconceito de classes. Também faz críticas com uma boa dose de ironia aos socialistas ingleses cada vez mais distantes dos trabalhadores . O livro conta com boas ilustrações que melhoram ainda mais a obra. Para se tornar fã de Jorjão basta apenas ler uma única página desse grande autor.

Aqui fica uma pequena homenagem da Alice Nas Correntes à um dos nossos heróis:




"Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade"

George Orwell


Depois Que o Livro Se Fecha... Os Famosos e os Duendes da Morte (Ismael Caneppele)

  Naquela cidade cada um sonhava o segredo.
  O menino sem nome conheceu o garoto sem pernas. Ele não tinha pernas e, mesmo assim, não precisava de nínguem para ir embora.
  Eles Tentaram.
  O garoto sem pernas mostrou o mundo como conhecia. O que não tinha nome, embarcou. Como quem nunca mais quer voltar.
  Por um tempo eles olharam pela mesma direção.
  Ele nunca lhe deu um nome.
  Ele nunca lhe trouxe as pernas.
  O que para um era sina, para o outro era o mistério.
  Por algum tempo, eles poderiam ter andado juntos sobre o mesmo trilho. Mas nunca seriam esmagados pelo mesmo trem.





Na Minha Opinião de Merda: Um tipo de literatura bem diferente do que estou acostumado a ler, invariavelmente acabo sempre caindo em literatura de gênero, mas no caso de ¨Os Famosos e os Duendes da Morte¨ de Ismael Caneppele, ja havia sido atraído pela historia devido ao filme homonino do diretor Esmir Filho (vencedor do Festival do Rio em 2009), que adaptou o livro com a ajuda do próprio Caneppele. Mas tendo acompanhado o material em duas mídias distintas fica claro que são obras que se complementam perfeitamente, e de uma forma muito bacana, cada uma explorando uma narrativa própria. A trama acompanha de forma pouquíssima usual em sua estrutura narrativa a historia de um garoto que vive em uma cidade interiorana no sul do país, uma cidade composta em sua maioria por colonos alemães. È extremamente dificil tentar simplificar o plot do livro, por ser um texto rico de um lirismo metafórico e uma prosa poética; Viajando durante todo tempo nos fluxos de pensamento do protagonista o leitor passa a compartilhar seus dilemas existenciais, fragmentos de lembranças, idéias, viagens psicodelicas, e sua facinação pela morte num sentido mais filosófico da coisa. Não tenho muito mais a dizer, o texto do Caneppele é muito, muito bom, nunca li nada parecido, devorei as paginas de forma frenética, enfim, indicação máxima, e se puder complementar com o filme melhor ainda.

Depois Que o Livro Se Fecha... Wilson (Daniel Clowes)

Wilson ama seu cão. Sorte do animal, pois parece ser a única criatura viva a merecer tal distinção de seu dono. Para este senhor de meia-idade, os outros não passam de um inconveniente necessário.
Como qualquer pessoa, porém, Wilson busca algum tipo de ligação com sua espécie. Sem jeito para a vida social, aborda estranhos em cafés, ônibus e na rua, com longas preleções sobre o que vê de errado na política, nos esportes e, basicamente, em qualquer tema da alma humana.
A morte de seu pai, no entanto, intensificará essa busca. Numa comovente e divertida tragicomédia de erros, Wilson irá atrás de sua ex-mulher, que, segundo os últimos rumores, teria se entregado às drogas e à prostituição. Ao lado dela, irá buscar a filha perdida, entregue à adoção anos atrás.



Na Minha Opinião de Merda: Esse é o  Primeiro post abordando quadrinhos no blog, e resolvi começar com esta fodástica graphic novel, de um dos mais importantes autores americanos de quadrinhos alternativos, Daniel Clowes. Essa foi uma leitura visceral pra mim, me rachei muito com a forma com que Wilson lidava de forma ¨ TÃO  EDUCADA COM AS PESSOAS ¨. Algumas coisas me chamaram muito a atenção na obra, a forma como Clowes consegue implementar tanta densidade na trama do jeito mais simples possível, transformando situações tristes em epifanias hilariantes, sempre com muito humor ácido e inteligente. A critica levantada em cima do homem moderno, da sua forma egoísta de enxergar a vida, banalizando coisas que realmente são importantes, trocando tudo que possa ser relevante em prol de uma maior conectivade com o mundo, que acaba sempre de uma forma ou de outra, tornando as pessoas ainda mais sozinhas e perdidas. Quanto a estrutura da historia, cada pagina equivale a uma vinnheta, e assim as situações vão sendo narradas de forma linear, alternando os traços em cada pagina, indo desde o realista até o mais cartunesco. Enfim, indicação maxima mesmo pra quem não curti quadrinhos, porque definitivamente além de ser extremamente divertido, traz consigo uma carga pesada de critica a sociedade moderna, o que mantém a obra sempre relevante.

Depois Que o Livro Se Fecha... Os Últimos Mafiosos (John Follain)

Os Últimos Mafiosos traça a espetacular ascensão e a queda da mais rica e mais poderosa família criminosa da história: o clã da máfia siciliana “Corleonese”. À parte da romântica aura dos filmes de Hollywood, este livro retrata a face verdadeira da família criminosa a qual inspirou Mario Puzo a escrever O Poderoso Chefão – The Godfather. Baseado em páginas e páginas de documentos judiciais, transcrições, testemunha dos desertores mafiosos e entrevistas com investigadores, esta é a última palavra no mundo da mais famosa organização criminosa.







Na Minha Opinião de Merda: Como um grande fã de filmes sobre máfia, tanto irlandesa quanto italiana, não poderia ter tido uma melhor incursão no mundo real do crime organizado, como nesse livro do John Follain. Quanto mais as paginas se viravam, mais impressionado eu ficava com o que ¨Os Camponeses¨ tiveram saco roxo pra fazer em prol da família Corleonese. O trabalho de pesquisa do livro foi gigantesco, o que torna toda a narrativa muito vivida, e te faz entender as motivações dos grandes mafiosos, por mais sangrenta que fosse a forma de alcançar seus objetivos. Talvez a figura que mais chame atenção durante a leitura seja mesmo a de Salvatore Riina, provavelmente o maior responsável por tornar o Clã Coleonese o mais violento e sangrento da historia. Seu modus operandi sempre calcado no mais puro terrorismo, consistia em obliterar qualquer um que representasse uma ameaça, por menor que fosse, ao seu reinado como capo de tutti capi (chefe de todos os chefes). È assustador descobrir como a máfia conseguiu se infiltrar e corromper toda a estrutura do país. Seus associados eram formados por médicos, políticos, policiais, magnatas do setor privado entre tantos outros setores que constituem os alicerces do governo. Mas o que talvez seja mais impactante em tudo isso, como o próprio autor descreve no final do livro é que a mafia esta longe de ser expurgada , sendo ainda hoje extremamente atuante. Pra se ter uma idéia, praticamente 10% do PIB total do país é oriundo de atividades ilegais do crime organizado, principalmente trafico de drogas e extorsões. Atualmente cerca de 70% dos estabelecimentos comerciais no sul da Itália são coagidos a pagar por proteção. Logo, esqueça toda aquela visão romantizada pelo cinema em filmes como O Poderoso Chefão e Os Bons Companheiros, aqui a historia é realmente manchada de sangue.

domingo, 31 de março de 2013

Depois Que O Livro Se Fecha... Fidel e a Religião - Conversas Com Frei Betto (Frei Betto)



Frei Betto acabava de ser jurado do prêmio literário da Casa de las Américas e foi convidado a uma coversa privada com Castro. Durante 23 horas Fidel Castro concedeu uma entrevista a Frei Betto em um hotel em Cuba. O livro foi escrito em 1985, quando a questão religiosa era um tema muito discutido devido aos assassinatos de religiosos que se opunham as ditaduras nas ultimas décadas. O livro ao todo é uma grande entrevista, onde Fidel narra sua própria biografia e claro discute assuntos religiosos com Frei Betto.





Na Minha Opinião de Merda... É um livro em que acompanhamos um conversa entre Betto e Castro, que corre de uma forma amigavél, onde parece que os dois são amigos de tempos. O livro contém 379 páginas mas parece que estamos sentados alo lado dos dois apenas ouvindo atentamente essa conversa e nem percebemos as páginas virando. Não quero expor minhas visões politicas, pois eu mesmo não as enxergo direito, mas o que posso dizer é que é na minha opinião é um dos melhores livros que já li e que espero reler.